the brunette lingerie

by patricia murteira

7.11.16

Papa de Aveia de Côco, a receita!



Mas há coisa melhor para começar as manhãs que já teimam ser frias? Se durante o Verão acabo por fazer aveia adormecida por ser uma maneira fresca de começar o dia, agora quero algo quentinho. Ontem fiz essa transição. Peguei numa pequena panela e fiz a primeira papa de aveia deste Outono. 

Juntei 200 ml de bebida de côco da alpro + 100 ml de água + 5 colheres de flocos de aveia. Deixei na panela até levantar fervura e depois mantive 5 minutos em lume brando. Durante este tempo, a aveia em princípio não colará ao fundo mas é sempre melhor não nos afastarmos muito e confirmarmos. Desliguei o fogão e juntei 1 colher de proteína em pó com sabor a morango, mexendo até o creme ficar uniforme. Caso não seja algo que faça parte do vosso dia-a-dia, podem saltar esse passo sem problema. Eu apenas o faço porque há uns meses atrás comecei a fazer musculação e dei conta que os valores de proteína que eu consumia por dia estavam muito aquém do necessário. 

Meto na minha taça favorita e juntos lascas de côco, 4 nozes desfeitas, canela e framboesas. É muito fácil e aconchegante. Principalmente para quem gosta de ficar a preguiçar na cama ao domingo de manhã. Mas não se deixem enganar, esta receita é também ela um pequeno boost de energia!

6.11.16

A minha última noite em Bruxelas


Para a minha última noite em Bruxelas, decidimos ir jantar fora. Aconselhadas por um amigo da Joana, fomos os quatro experimentar os Les Moules, um prato de mexilhões muito conhecido na Bélgica. O restaurante chamava-se chez Leon e situava-se numa das ruas que dá acesso ao Delirium, o bar do último post (aqui). Eu e a Joana experimentámos os mexilhões simples que são servidos numa panela e eles pediram com molho de queijo e molho de tomate. Eu sou fã de marisco e praticamente quase tudo o que venha do mar - excepto polvos - e posso-vos dizer que o sítio correspondeu plenamente às nossas expectativas. Os mexilhões estavam com óptimo aspecto, sem nenhum grão de areia e viam-se que eram frescos. O atendimento também foi bastante simpático tendo em conta as inúmeras perguntas que fizemos sobre o menu. Além do mais, era impossível esquecer-me de onde me situava. A decoração das paredes e janelas expirava Bruxelas. 

Terminei a noite a admirar a Grand Place com a Joana. De dia, já era deslumbrante mas à noite ganhava um brilho especial, tornava-se imponente. Sentámos-nos novamente no chão e falámos sobre a experiência dela em erasmus e como aquilo a estava a mudar. 

- Tens que fazer erasmus. Não podes deixar de fazer! - dizia-me ela.

Ela não me mencionava as festas, a bebida, as férias sobre responsabilidades académicas como razão. Ela queria que eu fizesse para descobrir parte de mim que só se descobre estando fora. A conversa foi longa e daquelas que nós gostamos. Fez-me ver coisas como nunca antes as tinha ponderado. Abriu-me janelas sem fechar portas. Um momento bem especial que guardo com estas fotografias. Também foi o meu último lá. Na manhã seguinte, embarquei de volta a Portugal. A viagem? Fi-la toda a dormir. Já não me assustava andar mais de avião ou perder-me onde quer que fosse. Sentia-me tranquila comigo mesma e com muitas saudades de casa. Também sabia que ia regressar à Grand Place. Não era uma despedida. Era um pin que queria voltar a repetir muitas vezes no meu planisfério. 

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Este é o último post que faço sobre a minha viagem. Espero que tenham gostado e um dia ainda ainda vos seja útil. Para facilitar, fiz um novo separador dentro das Categorias para terem um acesso mais rápido a todos os posts sobre Bruxelas. Sei que me ausentei e que de alguma forma vos desiludi. Há muitos meses que tinha estas fotos guardadas e sabia que era com elas que queria voltar. Mas às vezes é preciso sair um pouco da bolha. Criei o blog e com ele nasceu uma responsabilidade, é verdade. Mas quero que percebam que além de fazer este trabalho com imenso gosto, carinho e dedicação, nunca vos escrevi nada contrariada ou com menos motivação. Por essa mesma razão, não quis forçar nada e simplesmente 'adormeci' na blogosfera. No entanto - e é maioritariamente por isso que vos escrevo este parágrafo - quero agradecer-vos muito por todas as mensagens que me enviaram a perguntar se estava tudo bem ou a dizerem-me para não desistir do blog. Principalmente aquelas que diziam ter saudades. É muito bom perceber que o que escrevo aqui é reconhecido por vocês a esse ponto. Quero que saibam que desistir do blog nunca vai ser uma hipótese em cima da mesa. Eu adoro isto :) 

3.11.16

Delirium e o seu menu sem fim


Além das waffles, das frites e do chocolate, a Bélgica é também conhecida por possuir algumas das melhores cervejas do mundo. Há inúmeros locais onde as podem experimentar mas o bar mais famoso de Bruxelas é (sem dúvida!) o Delirium Café. Apesar da sua localização discreta numa travessa perto da Grand Place, é denunciado pela multidão junto da sua porta exterior. E acreditem que isso é só uma amostra da quantidade de pessoas que irão encontrar. Dividido em três andares, o Delirium possui o maior menu de bebidas - mais de três mil actualmente e maioritariamente cervejas - que possam imaginar. Daí também ter sido premiado e constar no Guiness Book de 2004. Acho que não é preciso avisar-vos para que não peçam o menu porque nem todas as sebentas juntas que leram na faculdade conseguiam dar conta do recado. 

Existe sim, uma verdadeira bíblia a circular pela sala e que descreve cada cerveja. Da minha parte, sugiro que saltem este passo e - inocentemente, claro - peçam uma sugestão ao barman. Só naquela porque há barmans coff coff cervejas para todos os gostos e também para quem não aprecia (a cerveja) por aí além como é o meu caso. Nós pedimos a cerveja Framboise. A Joana, não concorda com a minha seguinte descrição - que fica muito aquém na opinião dela - mas para mim foi uma mistura de groselha com sangria. Mas atenção, groselha sempre foi uma paixão minha desde miúda e sangria neste caso não seria uma qualquer. A melhor sangria que já bebi foi uma de frutos vermelhos no Guilty by Olivier, em Lisboa. Essa sim, maravilhosa, é a que entra na mistura da minha descrição. Por isso, a Framboise na minha consideração bate vastos pontos e é digna de vos ser recomendada. 

Outra coisa bastante engraçada é todas as cervejas serem servidas no seu respectivo copo, podendo até chegar a ser uma ofensa quando não acontece. Acho que já se percebeu que lá a cerveja é assunto muito sério. Talvez por isso não seja de admirar que muitos fanáticos venham até este sítio para poder saborear cervejas do Japão, África do Sul ou até mesmo oriundas da Tanzânia. Um verdadeiro paraíso para os seus amantes e muitos estudantes que tornam o local num dos mais cool para sair à noite na capital. 

2.11.16

Bruges, o que fizeste aos teus relógios?


Para ser sincera nunca tinha ouvido falar de Bruges. Quando a Joana mencionou como opção visitarmos a cidade, disse-lhe que sim simplesmente porque tudo na altura era motivo de entusiasmo. Mais tarde, recebi o meu primeiro guia de viagem citypack - oferecido pela minha querida e viajada tia - e fiquei rendida às descrições de Bruges. Foi aí que a visita ficou logo marcada como obrigatória.

A cidade situa-se a uma hora de comboio de Bruxelas e o seu centro histórico fica apenas a 2km da estação. Sim, é bastante pequenina mas muito especial. A sensação que tive quando me embrenhei pelas ruas a dentro foi logo: o que aconteceu aos relógios daqui? Pararam? Não existia uma ponta de modernismo. A cada rua que virava, tudo se tornava ainda mais pitoresco. Por momentos, pensei ter viajado uns séculos atrás no tempo. Ruas estreitas pintadas de calçada, pontes desertas mas não menos conservadas, canais de água atravessados por pequenos barcos, carruagens puxadas a cavalo em cada esquina e eu dando voltas de 360º para conseguir absorver tudo. 

Não havia grandes multidões, era tranquilo e ao mesmo tempo majestoso. Tentava perceber o que tornava aquela atmosfera tão encantadora mas não conseguia apontar apenas um motivo. Era o seu conjunto. Perdemo-nos pela cidade a andar sem destino certo. Cada rua em que entrava era mais fotogênica do que a anterior. Se pudesse colocava aqui 100 das fotografias que tirei e mais gostei, todas são surpreendentes. 

Umas casas ao melhor estilo gingerbread depois e estávamos na Grote Markt. Não havia como não passar por ali, uma verdadeira gracinha pitoresca que se torna arrebatadora quando nos viramos para o Belfry. O Belfry (ou Campanário) tem 83 metros de altura e uns modestos 366 degraus possíveis de subir até chegar ao seu topo. É um dos principais símbolos da cidade e com razão.  

Lembram-se da foto que meti da MAC no instagram? Pois bem, foi tirada numa das suas ruas adjacentes.  A mim ainda me custa acreditar que aquilo que vi era mesmo real. Aliás, qualquer indício de vida moderna - naquela cidade de charme medieval intacto - era de voltar a olhar uma segunda vez para confirmar. Uns passos depois e claro, uma chocolaterie! Não sei se já perceberam, mas tentei guardar uma iguaria típica para cada dia e aquele era sem dúvida, o esperado dia do chocolate. Aiii, que perdição. Os chocolates eram só qualquer coisa ainda antes sequer de os provarmos. Tantos e tão diferentes que uma pessoa acaba por esquecer os seus próprios critérios de selecção. Eu, que toda a vida me conheci a escolher sempre o mesmo tipo de chocolate com o mesmo tipo de recheio, conseguir diversificar ao máximo sem o mínimo esforço. Nota negativa para as trufas que ainda não foram desta que me conseguiram convencer.

Eu não sei quanto a vocês, mas eu se fosse minha leitora não resistia a ir visitar este património medieval do romance. 

1.11.16

As Frites, O Atomium e o Sushi



De volta ao centro de Bruxelas, experimentámos as famosas frites. Enganam-se se, tal como eu, pensavam que as batatas fritas tinham a sua origem em França. Na altura do seu descobrimento, fez-se confusão por também os belgas falarem francês e nomearam-lhe a origem errada. A verdade é que as famosas e autênticas batatas fritas - estaladiças por fora e cremosas por dentro - foram criadas por mãos belgas e o país não podia ter mais orgulho nisso. Nós pedimos dois cones pequenos de frites mas o tamanho era tudo menos pequeno. Foi aí que percebi que na cultura belga, pedir um cone de frites era o mesmo que almoçar ou jantar. E depois? Depois era preciso escolher um molho no meio de uma lista de nomes desconhecidos como Samurai, Brasil e tantos outros que só se tem uma ideia pedindo primeiro para provar. Eu arrisquei e escolhi o molho Andalouse - aconselhada pela Joana que optou pelo mesmo - feito com maionese, molho de tomate, pimentos e limão. Eu adorei estas frites e o respectivo molho. No entanto, como não sou grande apreciadora de batatas fritas acredito que a minha avaliação não seja muito crítica - num país que se espera que tenha as melhores - e que o sítio onde fui possa não ser o top da cidade. E a mascote Senhor Batata? Fiquei rendida. 

Fomos em direcção à estação de metro de Heysel e avistámos o Torre Eiffel de Bruxelas facilmente. Com uma altura de 100 metros, em forma de cubo e com um total de 9 esferas, o Atomium foi construído para a Expo 58 com um olhar já bastante futurista para a época. Uma mistura entre arquitectura e escultura que conquistou o coração dos belgas e continua a cativar turistas. Acabei por não entrar porque já não tínhamos muito tempo. Mas de qualquer forma também não fazia muita questão porque tinham-me avisado que as exposições no interior não correspondem às expectativas que se leva do seu exterior. Se alguém já foi, não se ficou por admirar toda aquela arte espelhada e é da opinião que o interior é uma visita a não perder, pode partilhar em comentário. 

No caminho para casa e novamente em Stockel, fomos buscar o jantar a um sítio de certa forma especial. Nos primeiros dias após a partida da Joana em Janeiro, recebi várias fotos enviadas por ela. Em uma delas constava um restaurante de sushi. Na altura recebi com carinho aquela memória de mim como uma viciadérrima em sushi ao ponto de ela já nos imaginar ali. Mas ao mesmo tempo, não tinha a certeza que isso iria mesmo acontecer. Quando dei o primeiro passo para dentro do espaço, senti-me inexplicavelmente feliz. Primeiro, a fotografia tinha-se tornado real e segundo, ia comer sushi. Ou talvez pela ordem contrária. Brincadeirinha. 

Um amigo da Joana apareceu por lá e deu-nos boleia até casa, onde fomos surpreendidas com a preparação de um churrasco. Os infinitos roomies da Joana convidaram-nos e nós juntámos o sushi à mesma. A noite fez-se ali, num final de tarde que se demorou entre conversas e piadas. O desafio da noite foi ensinarmos um roomie alemão a cantar a música Amar não é pecado do Luan Santana. Não há comédia maior do que ver alguém com aquela pronuncia alemã carregada a imitar a fluidez brasileira. Just try it! ahah

31.10.16

A Floresta Azul


Naquela manhã partimos para sul de Bruxelas. Um amigo da Joana fez um roteiro para os dias que eu lá estava e uma das coisas que ele tinha indicado era a Blue Forest. Apanhámos o comboio na estação central de Bruxelas e em coisa de meia hora chegámos à cidade de Halle. Como o objectivo era poder perder várias horas pela floresta, não fiquei a conhecer muito de Halle e a cidade também me pareceu bastante pequena. Além disso, não demorei muito tempo a perceber que a sua língua oficial era a holandesa. Foi quando estávamos nós as três - sim, porque neste dia também fiquei a conhecer a Marlene, uma amiga que a Joana conheceu em erasmus e também era portuguesa - a perguntar na estação qual o autocarro que nos poderia levar até à Blue Forest que ficámos a perceber que não valia a pena. Ali ninguém lhe chamava Blue Forest, mas sim Hallerbos que significa Floresta de Halle em holandês. O mais engraçado foi o facto de ter sido um senhor japonês que nos ajudou a chegar a esta tradução, a última pessoa que teríamos ponderado ser capaz de nos entender. Aliás, o autocarro que apanhámos em direcção da floresta ia apinhado de japoneses. Foi engraçado poder confirmar esta ideia que tinha sobre o significado e a importância que a cultura japonesa dá às flores. 

O local onde nos deixaram era algo como uma aldeia minúscula com um único café. A única estrada existente depressa se tornou em uma composta por terra batida. Sem quase darmos conta, entrámos na floresta. Árvores altas e de copas largas abraçavam-nos, deixando espaço para a entrada de apenas alguns raios de sol. O ambiente tornava-se naturalmente misterioso e quase mágico. Começámos à procura dos bluebells. Sabem aquelas flores da família dos lírios em formato de sinos? A Blue Forest é conhecida por todo o seu chão ser (literalmente) um tapete denso dessas flores entre os tons azulados e arroxeados. Eu esqueci-me de levar a bateria da máquina fotográfica - coisa pela qual me culpo ainda hoje e não é pouco - então se quiserem ter uma pequena amostra do que vos falo podem ver (AQUI). A nossa manhã e início de tarde foi passada a descobrir os trilhos da floresta através de um mapa que nos ofereceram por lá. Se algum dia também pensarem em visitar, terão que ter em atenção que só no final da primavera e início do verão é que estas flores estão no seu auge. 

Quando por fim voltámos à paragem da pequena aldeia habitada por não mais de vinte pessoas, ficámos a saber que tínhamos acabado de perder o autocarro. Tentámos entrar no único café do local - que por milagre tinha wi-fi - mas depressa nos avisaram que teríamos de arredar pé dali rapidamente. Já vos disse que os belgas são supeeer e chatamenteee pontuais? Digo isto com uma ponta de inveja embora naquela situação preferisse que fechassem o restaurante só algum tempo depois. Uma paragem sem bancos, umas pernas a morrer de cansaço e pouca esperança em ver o vislumbre de algum autocarro. Sentei-me no chão enquanto as minhas duas companheiras tomaram a liberdade de começar a fazer fixe para a estrada. 

- Estão a gozar... certo? - gaguejei eu incrédula mas sem conter o riso.  
- Então se não for assim nunca mais saímos daqui... 
- Mas o autocarro não vai chegar dentro de uma hora?
- Acho que sim mas sinceramente não tenho a certeza e ainda queremos ir ver o Atomium hoje...

Não respondi a pensar em quão mínima era a probabilidade de algum dos vinte habitantes da aldeia lembrar-se de ir até Halle de carro e naquele momento. Dez minutos passaram e no fundo da minha consciência suspeito que estou a ouvir o som de um motor. Olho para a minha direita e é verídico: um carro aproxima-se. Olho para elas e já as vejo de braço esticado na berma oposta da estrada. Eu estava do lado da sombra a dar sustento à minha nova designação de madame, claro. Se bem que o aposento era a pedra mais larga que achei no meio da terra batida, mas isso é irrelevante. Humm.. estará a abrandar? Parece que... que... que... vai... parar... ahhhh não parou. Ahahahahahah sem fim, o que eu me ri. E eu ainda pensava que o problema era alguém passar. O problema era alguém passar e querer levar-nos a nós, usurpadoras da boa vontade dos inocentes, surripiadoras de carteiras ou até mesmo três possíveis serial killers. Estávamos, basicamente, tramadas e sujeitas à aparição de algum autocarro. 

Mais dez minutos passaram e eis que surge um novo carro. Ao longe parecia uma esperança mas ao perto percebi que agora quem iria recusar entrar seríamos nós. Dois homens guiavam na frente e pararam. Vejo-as a trocar palavras com eles em francês. Chamam-me. 

- Oi? Mas acham mesmo que vamos agora entrar aí? - disse eu prontamente e demasiado segura que ninguém ia entender por ser português.
- Não temos outra opção. O autocarro pode não aparecer. Além do mais, quem está a guiar é o avô, ao lado é o pai e no banco de trás está um bebé, vê. 

Era verdade. Estava ali um bebé. Mas o que é que isso queria realmente dizer? Não se tratava de preconceitos mas a verdade - que até poderia não ter nexo nenhum - é que me sentia muito mais confortável a aceitar boleia de gajas e de preferência da nossa idade, se não fosse pedir muito. 

O bebé levanta a mão na nossa direcção a querer dar-nos algo azul que rapidamente identificámos como um bluebell.

- Olha que fofo! Está a querer oferecer-nos a flor... - dizia uma delas.

Entrei no carro a suster a respiração. A cada travagem, a cada curva, a cada mudança de direcção eu me interrogava. E se nos estão a raptar? Bem, se nos estivessem a raptar eu não saberia porque nem sabia qual era o caminho certo. E naquele momento percebi. Tudo aquilo que podia fazer era respirar fundo e viver a aventura. Não tinha vindo para a Bélgica para ser uma turista. Tinha vindo para mostrar a mim própria que era capaz de me desafiar e superar coisas nunca antes vividas. Tinha vindo para sair da minha zona de conforto e para coleccionar memórias que não se adivinhavam no guia turístico da cidade. Tinha vindo para redescobrir-me. Olhei pela janela, apreciei a floresta a diminuir de tamanho e pensei: que sorte que tenho em estar aqui. 

23.10.16

A praça mais bonita da Europa


Só há uma coisa com a qual eu não passo sem todas as manhãs e essa coisa chama-se café. E não estamos a falar de cafés aguados ou cheirinhos a café como galões e cenas que tais. Estamos a falar de café expresso, bicas ou cimbalinos. Não importa que nome lhe dão desde que percebam a consistência energética de que falo. A primeira coisa que me ocorreu no meu primeiro acordar em Bruxelas foi: cadê o café?! Não há forma de voltar ao mundo real sem essa poção e se há coisa que não estava habituada, era a esforçar-me por encontra-lo. Desisti e assim que avistei o Starbucks não saí de lá sem o café mais forte que consegui pedir. E eu, que somente sonhava com um expresso há horas, tomei conta naquele preciso momento do meu mini défice de auto-controlo para com a cafeína. 

De energias repostas, comecei finalmente a prestar atenção a tudo aquilo que a Joana me mostrava. Neste dia, saímos na estação da Gare Centrale e tínhamos decidido tirar toda a tarde para conhecer o centro de Bruxelas, mais precisamente a Grand Place. Posso-vos dizer que é uma das praças mais encantadoras e surpreendentes que já vi. O dia de sol também ajudou porque todas as fachadas cobertas a ouro reluziam. Magnífica, mesmo. E com uma temperatura óptima para percorrer todos os seus cantos. Não é de admirar que já tenha sido eleita várias vezes como a praça mais bonita da Europa. 

Muito perto da Grand Place ficam as Galeries Royales Saint-Hubert. A sua cobertura é de vidro e em formato de arco, o que nos dá a sensação de continuarmos no exterior e não de termos entrado num espaço comercial. O que é que eu posso dizer? Vitrines maravilhosas, lojas tradicionais com os lendários e deliciosos chocolates belgas, outras tantas lojas de marcas e artigos de luxo. Uma verdadeira perdição no que toca a ambientes de glamour e elegância e que está muito bem conservada. Conseguimos encontrar detalhes históricos nas fachadas de cada loja. Só não coloco aqui mais fotografias porque não resisto a não dar destaque aos macarons Pierre Marcolini! Por favor, quando forem a Bruxelas, entrem nesta loja e não deixem de trazer os vossos sabores favoritos. Não há palavras para defini-los. Os meus eleitos foram o de caramelo (que quase já estava esgotado), baunilha e maracujá (por recomendação da Joana). 

Termino este post com fotografias de uma rua que me deixou surpreendida. É a Rue de La Chaufferette e está pintada de forma pedagógica e por vezes irónica sobre o preconceito  relativo à  homossexualidade. Fiquei bastante feliz por ver tanta abertura e descontracção em relação ao tema em Bruxelas. Definitivamente, um passo mais à frente e contra a discriminação na capital da Europa o que me levantou as esperanças e fez pensar que um bom caminho será seguido no futuro.

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