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20.10.16

o El Cafe em Ixelles em #hepburnmood

 

- Sim, deixa-me só meter o rímel e estou pronta! - disse enquanto saía do quarto e ia em direcção à casa de banho. "Uaaaauu" pensei. A casa de banho era enorme. Tinha um espelho que quase ocupava uma parede, um tecto todo forrado a madeira, uma bancada de dois metros que dava para alojar ali uma real colecção de produtos e maquilhagem, armários, um estendal para as toalhas, um aquecedor, uma banheira... e... a... sanita... cadê a sanita?! Dei três voltas no mesmo sítio. Como assim uma casa de banho sem sanita? Pobre, Joana. Deviam ter-lhe dado a pior casa de banho convencendo-a com todos aqueles apetrechos desnecessários. Procuro por outra casa de banho. Não tem sanita. HAM? Desço as escadas e entro em mais três casas de banho diferentes. Nenhuma tem sanita! Mas.. Como assim?! 
- Joana! Há alguma sanita nesta casa?! 
- Ham? Então não viste a sanita? Está ao lado! - dizia ela de ar sereno perante a minha cara de estupefacção.
- Qual lado?? Eu olhei para todos, até fui lá abaixo! 
- Na porta ao lado!! - dizia ela agora a rir-se. 
Era verdade. Naquele corredor e junto à porta da casa de banho existiam mais quatro portas. A porta do quarto da Joana, duas portas de dois colegas de casa e a porta da sanita que mais parecia a porta de um outro quarto qualquer. Abri a porta e parti-me a rir. 
- Mas o que é isto? Isto é ridículo... Isto chega a ser intimidante! - dizia-lhe eu enquanto via aqueles dois por dois metros a limitar uma área forrada a azulejo e chão branco, nenhuma janela, nenhum suporte e apenas e somente uma sanita branca posicionada de frente para mim. 
- Então é mesmo assim. Aqui as casas de banho típicas belgas são todas assim e já visitei outras casas e continuam a ter esta divisão. É uma questão de hábito!
Amigas, aquilo foi tudo menos uma questão de hábito. Encarava aquilo como o asilo sanitário de quem ponderou não vir a encontrar uma sanita naquela casa. Ainda hoje me pergunto porque fazem algo assim. 

- Nós temos sete SETE S-E-T-E minutos para chegar à paragem do tram e temos mesmo que apanhar este que o próximo é só daqui a uma hora. - dizia ela enquanto vestia o casaco à pressa.
- Está bem. - disse eu com a calma de quem não sabe o que espera. 
- Estás preparada? - inquire-me enquanto tranca a porta de casa.
- Preparada para quê?
- Cooorrrreeeeee! 
Quando me volto para perceber o que se passava, já a Joana está metros à minha frente a correr ao encontro da passagem verde que no meio daquela escuridão apenas era um grande buraco negro. Isto tudo, debaixo de uma catrefada de chuva e no meio de cruzamentos e ruas que para mim eram todas iguais,  tornou-se numa experiência singular. E eu que tantas vezes pedi à Joana para irmos correr em Lisboa e tinha ouvido sempre um não como resposta. 
- Amigaaaaaa é preciso vir à Bélgica para te ver a correr? - perguntei eu assim que a apanhei.
- Rápidoooo rápidooo! - só dizia ela.
- Então mas de certeza que atrasa um minuto ou dois... 
- Não estamos em Portugal! - relembrou-me.
E era verdade. Com menos pinta que o eléctrico português mas bastante mais moderno, o trem chegou à paragem no preciso momento em que nós também a alcançámos. 
- Vês.. - dizia ela. E eu via. Via-me com um segundo banho em cima e cheia de calor num país em que só me diziam para ir agasalhada.

Não tardou a chegarmos a Ixelles. (Uma pergunta. Sabem quem foi a linda que nasceu em Ixelles? Quem, quem, quem? A AUDREY HEPBURN!! Muito amor por Breakfast at Tiffany's nesse momento.) A zona era muito frequentada por jovens, bares para sair à noite e pela comunidade portuguesa. Segundo o que ela me dizia, era lá que matava as saudades dos pastéis de nata. Primeiro reunimo-nos na casa de um amigo da Joana e depois de algum warm up e jogos de matraquilhos, fomos para o El Cafe.  Foi neste restaurante-bar texano-mexicano e rodeadas de cocktails que a Joana me apresentou grande parte dos amigos de erasmus que já tinha feito. Foi uma noite bastante agradável e que terminou com uma descoberta também bastante interessante. Quando quisemos voltar para casa, todos começaram a falar de um tal collecto. Eu não sabia o que era e ainda pensei que fossem eles a discutir que iam todos "colectivamente" para casa. No entanto não era nada disso. 

Em Bruxelas, alguns táxis transformam-se em collectos entre as onze da noite e as seis da manhã. E como é que isto funciona mesmo? Basta terem a aplicação para chamarem - como no caso da Uber - e seja qual for a distância que façam - dentro da parte central de Bruxelas - só pagam 5 euros por pessoa. Coisa que é só assim fantástica tendo em conta os preços dos táxis em Bruxelas. Além disso, chama-se collecto porque enquanto existirem lugares vagos e pessoas que também tenham chamado e estejam no nosso percurso, também elas apanharão o mesmo collecto que nós. Por exemplo, imaginemos que isso existia em Lisboa. Se eu e a Joana tivéssemos apanhado um táxi-collecto em Belém e quiséssemos ir até ao Campo Pequeno, ficariam ainda três lugares vagos. Logo se houvesse duas pessoas que quisessem ir também até ao Campo Pequeno, estivessem no jardim da Estrela e tivessem pedido um collecto com essas indicações, iríamos recebe-las no nosso e partilha-lo. Eu achei aquilo o máximo e uma excelente forma de ficar a conhecer a vizinhança, quando era interessante, claro! 

2 comentários:

  1. Estou a adorar estes posts sobre a tua viagem :). Parece que estou a ser teletransportada aos sítios!
    Eu também me sentiria intimidada com essa sanita " forever alone" xD.
    Também não sabia o que eram collectos, que engraçado, eram mesmo úteis aqui em Portugal.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  2. Uma divisão só para a sanita..? A sério? E se for uma pessoa grande..? E se for uma pessoa claustrofóbica?? Não entendo..
    Adoro a forma como escrever! Beijinhos
    http://wallflowerbyines.blogspot.pt/

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