by patricia murteira

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9.11.16

Dia 11 do mês 9 já era mau mas dia 9 do mês 11 pode não vir a ser melhor


Ás vezes penso sem querer realmente pensar. Será que temos todos um pouco de culpa? Eu fui daquelas que sempre achou imponderável ele vir a ganhar. Achava que era de caras o quão ridículo seria. As coisas que lhe saiam eram tão más que apenas serviam para estar em algum meme ou vídeo ao final do dia. Partilhei-os como quem partilha um episódio de comédia, uma imagem de 9gag ou uma risada sarcástica. Mas hoje perdi o meu chão. Talvez isso nunca devesse ter acontecido. Talvez a América tenha levado tudo isto muito descontraidamente e com a mesma segurança do 'jamais acontecerá' que eu. Talvez todas estas partilhas só tenham contribuído para alastrar o seu reinado ao domínio das redes sociais. Porque eu via além do tom cómico das partilhas. Eu fui muitas vezes - se não quase sempre - sarcástica e irónica. Mas quantas e quantas pessoas cegaram para a interpretação posterior? Designaram-no como engraçadinho, multifacetado e como um deles. Designaram-no como a revolução que queriam. E eu acredito que eles queiram revolucionar muitas das suas políticas. E eu que admito não ser nenhuma expert na área, mesmo assim consegui ver a candidatura da Hillary com bastante dúvidas. Vi mulheres - demasiadas mulheres - agarradas a ela por ter uma visão mais tranquilizadora da América e essencialmente por ser mulher. Eu também quero muito chegar a esse dia em que vejo uma mulher como presidente mas quero que chegar a esse dia a sentir-me orgulhosa. Os americanos têm razão quando desconfiam da única candidata da dupla que parecia estar cada dia mais no topo. Ela não era de confiança e o que dizia contrariava o que já tinha feito. Se eu fosse americana, o meu voto seria em branco. Ou seria votar na Hillary só para não deixar avançar o Trump, o que também seria muito mau. E acredito que muitos dos seus votos tenham sido assim "não porque acredito em ti mas porque não posso deixar ganhar um filho de emigrantes xenófobo instável que quer expulsar emigrantes" ganhe. Eu ainda tenho fé na América. Só não consigo ainda aceitar isto do laranja ser o novo preto. Pode ter sido a forma de chamar a atenção para toda a merda que se passa nas políticas do país. Podem ter encarado como a revolução que esperavam e o rompimento de muito do que já estava (mal) estabelecido. Mas vai ser também uma enxurrada de obstruções dantescas a muitos dos ideais em que acredito e que já tinham feito o primeiro passo. Hoje estou triste e resta-me acreditar que os políticos - efectivamente - não fazem o que dizem. Neste caso, prefiro mesmo que assim seja. 

3 comentários:

  1. Acho que hoje acordámos todos com esse sentimento de desilusão. É triste perceber que a América (ou o povo americano) não é tão "mente aberta" como a idealizávamos! Agora é esperar para ver os resultados.
    Kiss, Mariana Dezolt
    Messy Hair, Don’t Care

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  2. Também não quis acreditar nas sondagens quando acordei e vi "Trump 272". Na noite anterior percebi que aos 270 ele ganhava. Não podia ser real, mas é..

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