.

.

11.10.14

Golas Altas, de onde apareceram?


Nasceu por necessidade na Era Medieval. Imagina-se que por essa altura as armaduras fossem tudo menos confortáveis. A fricção do metal nos colarinhos fixos causavam irritações na pele que depressa se tornavam contraproducentes quando o objectivo era o massacre do adversário. Os soldados viram-se então, obrigados a usar camisolas de gola alta debaixo das malhas metálicas que lhes auferiu a mobilidade antes condicionada.

Foi Isabel I quem lhes deu a primeira interpretação de alta-costura.  Numa altura em que a nobreza era marcada pela falta de banhos, a peça não foi só vista como uma forma de ocultar os problemas de pele. Foi sim, através dos elevados e dramáticos colarinhos que se encontrou a imposição do estatuto de uma das mulheres mais marcantes da História. 300 anos depois e já século XX, os anos 40 eram marcados pela passagem dos vestidos vitorianos com rendas que cobriam o pescoço para as suas versões em seda e caxemira. Os anos 60 foram a década de ouro. Yves Saint Laurent apresentou a peça como uma alternativa para a mulher de negócios através de fatos andróginos, que teriam como objectivo, equilibrar a posição da mulher no mercado de trabalho. 

Quebravam-se assim os estereótipos de que a gola alta seria apenas a imagem de marca dos intelectuais, filósofos e artistas, tornando-a adaptável ao guarda-roupa feminino. O movimento moderno rapidamente elegeu a peça como sua representante oficial que culminou com as aparições públicas dos Beatles. Acabou por ser um pouco banalizada apesar de algumas aparições esporádicas nos anos 90. No entanto e impulsionada por nomes como Michael Kors, Donna Karan, Céline e uns tantos outros criadores que aceitaram o desafio de reinventar uma peça que anos antes seria símbolo de ostentação, a gola alta voltou a ser peça chave e promete não arredar pé tão depressa. 

Hoje podemos optar entre organza e lã, entre crop top ou oversized, entre qualquer corte ou textura. A gola alta reinventou-se completamente mas os seus princípios permaneceram. Numa era em que a banalização da “quase-nudez” se torna cada vez mais evidente, restaurar uma peça que contradiz a cultura pop actual tem tudo para ser um passo arriscado. Mas algo que por tantos anos realçou a beleza da mulher sem a deixar cair no vulgar merece sempre uma segunda oportunidade.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Copyright @ the brunette lingerie. Blog Design by KotrynaBassDesign