by patricia murteira

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7.9.14

a minha experiência universitária

E foi no alegre dia de chuva de ontem que fui perseguida pela nostalgia. Como se não bastasse ter passado a tarde a ser relembrada do aproximar do fim das férias, abrir o facebook à noite eram autênticos bombardeamentos de resultados de candidaturas que só me deixaram uma conclusão: estou cada vez mais próxima de ficar caquética. 

730, há setecentos-e-trinta-dias atrás estava eu aos saltos por saber que tinha entrado em Lisboa. Na verdade, já estava em Lisboa quando soube da notícia, não deixei outra opção na minha candidatura. Na altura sonhava com arquitectura, um bocadinho mais com a mansão que depois (achava eu) que ia construir para mim. Tinha ambições prósperas, não haja dúvida. Lembro-me de não ter senha no primeiro dia e ter que estar à porta da faculdade, às sete da manhã do dia seguinte, para que com sorte, conseguir ter direito a uma senha que me permitisse ser atendida 8 horas depois. Podia começar neste ponto a justificar o meu amor pela faculdade, mas entretanto apercebi-me que há coisa piores que se dão pelo nome de portais. Acreditem que esperar 8 horas em nada se compara a desesperar 16 horas em frente a um ecrã que não ata nem desata. 

Foi um ano extenuante, de certa forma penoso também. De escolhas erradas está o nosso dia-a-dia cheio, mas não gostar do que fazemos estando a faze-lo por nossa deliberada vontade (e escolha) tem um impacto muito mais frustrante. Não há um click que nos diga: isto não é para ti. Não pode, não deve e não é assim tão simples. A palavra motivação só por si já é forte e determinada. Mas não basta quando não há vontade e desejo de alcançar certo objectivo como base. Foi um ano extenuante, de certa forma penoso também, mas expansivo no meu crescimento no que toca ao campo do auto-conhecimento. Apercebi-me que a ideia que tinha de arquitectura não era compatível com a ideia que tinha de mim daqui a uns anos. De maneira nenhuma quero com isto dizer que o sonho só pode ser um, que só há um caminho depois da decisão estar tomada. É completamente possível especializar-se numa área e acabar por ser-se realizado numa outra que em nada seja similar. Mas há que se ser consciente, é um investimento em nós mesmos, e quanto mais acertado for, mais produtivo será. 

365, há trezentos-e-sessenta-e-cinco-dias atrás estava a encarar um novo desafio, um novo recomeçar. Entrei na Escola Superior de Comunicação Social em Audiovisual e Multimédia. Um curso que para muitos quase que não existia, para outros praticamente não era relevante. Um curso que me deu uma nova casa e acima de tudo, me mostrou que é possível sabermos quando estamos no caminho certo. Porque aquela pergunta chata (e teimosa que só ela), afinal de contas sempre será: "Ok. Eu até gosto disto. Mas como é que eu sei que gosto mesmo mesmo disto?". Se vos dissesse que não era necessário persistência até mesmo quando se gosta, estaria a mentir. Custa, dói, mói. Mas também anima, gratifica e realiza. 

Hoje sei que gosto mesmo mesmo de escrever aqui, de fotografar ali e de editar acolá. Amanhã não sei para onde vou, mas sei o que quero e pretendo ir até ao fim. É necessário banir o "deixar-se ficar" só porque até pode dar. Até mesmo um sonho requer uma garantia a nós mesmos. 

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